A EmigraçãoEmigrationL'ÉmigrationLa EmigraciónIseljavanjeЭмиграцияDie Auswanderung
Quando a terra já não dava sustento, partiu-se. Para França, para a Alemanha, para o Luxemburgo. Para o Brasil. Levou-se a saudade como bagagem, e ficou-se a trabalhar para poder voltar. Muitos nunca voltaram.When the land could no longer provide, people left. For France, Germany, Luxembourg. For Brazil. They carried saudade as their luggage, and worked to be able to return. Many never did.Quand la terre ne suffisait plus, ils sont partis. Vers la France, l'Allemagne, le Luxembourg. Vers le Brésil. Ils portaient la saudade comme bagage, et travaillaient pour pouvoir rentrer. Beaucoup ne sont jamais revenus.Cuando la tierra ya no podía sustentarlos, se fueron. A Francia, Alemania, Luxemburgo. A Brasil. Llevaban la saudade como equipaje, y trabajaban para poder volver. Muchos nunca regresaron.Kada zemlja više nije mogla prehraniti, otišli su. U Francusku, Njemačku, Luksemburg. U Brazil. Nosili su saudade kao prtljagu i radili kako bi se mogli vratiti. Mnogi se nikada nisu vratili.Когда земля больше не могла прокормить, они уехали. Во Францию, Германию, Люксембург. В Бразилию. Они несли с собой saudade как багаж и работали, чтобы вернуться. Многие так и не вернулись.Als das Land nicht mehr genug gab, gingen sie. Nach Frankreich, Deutschland, Luxemburg. Nach Brasilien. Sie trugen die Saudade als Gepäck, und arbeiteten, um zurückkehren zu können. Viele kehrten nie zurück.
~1,5M
portugueses emigraram entre 1957–1974Portuguese emigrated between 1957–1974Portugais émigrés entre 1957–1974portugueses emigraron entre 1957–1974Portugiesen wanderten aus zwischen 1957–1974Portugalaca emigriralo između 1957.–1974.португальцев эмигрировало с 1957 по 1974 год
4
países de destino principaismain destination countriespays de destination principauxprincipales países de destinowichtigste Zielländerglavna odredišna zemljaосновных страны назначения
1960
início da grande vaga de emigraçãostart of the great emigration wavedébut de la grande vague d'émigrationinicio de la gran oleada emigratoriaBeginn der großen Auswanderungswellepočetak velikog vala iseljavanjaначало великой волны эмиграции
288
habitantes da União de Freguesias (Censos 2021)inhabitants of the Parish Union (2021 Census)habitants de l'Union de Paroisses (Recensement 2021)habitantes de la Unión de Parroquias (Censo 2021)Einwohner der Gemeinde (Volkszählung 2021)stanovnika Unije župa (Popis 2021.)жителей объединения приходов (перепись 2021 г.)
Parada de Monteiros situa-se a cerca de 640 metros de altitude, numa zona de granito e xisto onde a agricultura sempre foi difícil. Os terrenos, em socalcos nas encostas ou nos lameiros junto ao Tâmega, produziam centeio, milho e batata, alimentos de subsistência, não de comércio. A vida era dura e as opções escassas.
Em meados do século XX, a aldeia atingiu o seu pico demográfico, com várias centenas de habitantes distribuídos por famílias numerosas, quatro, cinco, seis filhos a trabalhar uma terra que mal chegava para todos. Quando chegou a segunda metade do século, a combinação de pobreza estrutural, do regime político fechado e das oportunidades que se abriam no estrangeiro tornou a emigração quase inevitável.
«Partiu de noite, com uma mala de cartão. Na mala ia uma fatia de broa, um pedaço de chouriço e a fotografia da mulher. Chegou a Paris sem falar uma palavra de francês.»
— Retrato evocativo da partida a salto, anos 1960
A grande vaga: anos 1960 e 1970
Entre 1957 e 1974, Portugal assistiu ao maior movimento emigratório da sua história. Estima-se em cerca de 1,5 milhão o número de portugueses que abandonaram o país neste período (historiador Victor Pereira), dos quais perto de 900 000 partiram para França. Uma parte muito substancial, estimada em cerca de 550 000, saiu clandestinamente, através dos chamados "passadores" que conheciam os caminhos pelos montes para atravessar a fronteira com Espanha sem passaporte.
Trás-os-Montes foi uma das regiões mais afectadas. As aldeias do interior serrano, Parada de Monteiros, Pensalvos, Cabanes, Seirós e dezenas de outras, perderam em poucos anos uma parte substancial da população activa. Os que ficaram eram os mais velhos e as crianças; os que partiam eram os mais jovens e os mais arrojados.
Os números revelam a aceleração dramática do fenómeno: as saídas legais para França passaram de 985 em 1955 para 3 593 em 1960 e 32 641 em 1964, um crescimento de mais de 33 vezes em menos de dez anos. Entre 1962 e 1973, cerca de 1 milhão de portugueses emigraram para a Europa, numa média de 85 515 por ano (Observatório da Emigração). Estes valores não incluem a emigração clandestina, estimada em mais de um terço do total. Trás-os-Montes, pelas suas condições de isolamento e pobreza estrutural, figurou consistentemente entre as regiões com maiores taxas de saída per capita. Fontes: Observatório da Emigração; Infopédia, Emigração portuguesa.
O caminho para a França
França foi o destino de eleição dos emigrantes transmontanos. A proximidade geográfica relativa, a existência de redes familiares já estabelecidas ("quem te leva?", "tenho um primo em Paris") e a forte procura de mão-de-obra não qualificada para a reconstrução francesa pós-guerra criaram um corredor humano que durou décadas.
Os transmontanos foram trabalhar principalmente em três sectores: a construção civil (betão, estradas, tunelamento), as minas (especialmente em Lorena, a bacia carbonífera de Lorraine, com cidades como Metz, Forbach e Thionville) e a indústria automóvel (Renault em Flins e Billancourt, Citroën em Rennes e Paris). Muitos fixaram-se na região parisiense, Seine-Saint-Denis (Aubervilliers, La Courneuve), Val-de-Marne, onde ainda hoje vivem comunidades portuguesas compactas.
A integração foi lenta e difícil. Os emigrantes viviam frequentemente em barracas (bidonvilles) nas periferias das grandes cidades francesas, em condições precárias. Enviavam as poupanças para Portugal em envelope, pelas mãos de outros que regressavam. A saudade era constante, e tratada com cartas escritas à mão, às vezes a um familiar que as lia em voz alta para os que não sabiam escrever.
A Alemanha e o Luxemburgo
A Alemanha absorveu sobretudo emigrantes com perfil mais jovem e dispostos a aprender a língua. Os acordos bilaterais entre Portugal e a Alemanha Federal (1964) formalizaram um fluxo que já existia de forma irregular. Os transmontanos foram para o Ruhr (Dortmund, Düsseldorf, Colónia) e para as fábricas de automóveis (Volkswagen em Wolfsburg, Mercedes em Stuttgart, BMW em Munique).
O Luxemburgo, com a sua indústria siderúrgica e posição geográfica central, tornou-se o destino de uma comunidade portuguesa muito coesa que ali criou raízes profundas. Os portugueses formam hoje a maior comunidade estrangeira do Grão-Ducado, cerca de 14,5% da população residente (STATEC, 2023), e muitos têm origem no norte transmontano.
🇫🇷
França
1960, presente
Construção civil, minas de Lorena, indústria automóvel. Paris, Seine-Saint-Denis, Ile-de-France.
🇩🇪
Alemanha
1964, 1980s
Fábricas de automóveis, indústria pesada. Ruhr, Wolfsburg, Munique, Estugarda.
🇱🇺
Luxemburgo
1960, presente
Siderurgia, construção, serviços. Maior comunidade estrangeira do Grão-Ducado (~14,5% da pop.).
🇧🇷
Brasil
1880s, 1950s
Vaga anterior à europeia. Comércio e agricultura. São Paulo, Rio de Janeiro.
A emigração clandestina: os passadores
Até 1974, sair de Portugal requeria passaporte e autorização do regime, difíceis de obter, morosos e caros. Quem não os conseguia ia pela fronteira a pé, à noite, guiado pelos "passadores": homens que conheciam os caminhos de montanha entre o Minho, Trás-os-Montes e a Galiza espanhola, e de lá para França.
O percurso era perigoso. Havia casos de pessoas abandonadas a meio, de dinheiro roubado, de detenção pela PIDE ou pela Guarda Fiscal. Mas a maioria chegava: cruzava Espanha de comboio ou de camião, e entrava em França pela fronteira basca ou pelos Pirenéus. Muitos nem sabiam exactamente onde ficava Paris.
Estima-se que entre 1960 e 1974, cerca de metade dos emigrantes portugueses saíram clandestinamente. Para as aldeias de Trás-os-Montes, onde a pobreza era maior e o controlo mais difícil de aplicar, essa proporção era provavelmente mais alta.
O impacto na aldeia
O esvaziamento demográfico
As estatísticas contam a história com frieza: nos Censos de 2021, a União de Freguesias de Pensalvos e Parada de Monteiros registava 288 habitantes no total, dos quais apenas cerca de 40 viviam em Parada de Monteiros propriamente dita. Em meados do século XX, a aldeia tinha várias vezes essa população. Mas os números não captam o silêncio que ficou, as ruas menos movimentadas, os campos que começaram a encher de mato, as casas com as portas fechadas.
Ficar também era uma escolha, muitas vezes forçada. Ficavam os mais velhos, que não tinham coragem ou saúde para a aventura. Ficavam as mulheres com filhos pequenos, à espera do dinheiro que chegava pelo correio. Ficavam alguns que tinham terra suficiente para viver, ou que não queriam abandonar os pais. A aldeia tornou-se, durante anos, um lugar de mulheres e velhos.
As casas dos emigrantes
Uma das marcas físicas mais visíveis da emigração transmontana são as chamadas "casas dos emigrantes", construções que rompem com a arquitectura tradicional de granito. Com o dinheiro ganho em França ou na Alemanha, os emigrantes construíram casas novas nos terrenos das famílias: maiores, com azulejo na fachada, janelas de alumínio, garagem para o carro que comprariam no regresso. Algumas têm um estilo que mistura referências portuguesas e francesas, com varandas de grade de ferro trabalhado que lembram as vivendas do Midi.
Estas casas eram tanto um investimento no regresso como uma declaração de sucesso, uma mensagem à aldeia de que a partida tinha valido a pena. Muitas foram construídas pelo emigrante nos meses de férias de Verão, com a ajuda de vizinhos e familiares. Algumas ficaram para sempre inacabadas.
«Ele mandava o dinheiro todo os meses. Eu guardava metade e tratava dos filhos com a outra. Ao fim de dez anos tinha chegado para construir a casa. Ele veio ao Agosto e construímos juntos.»
— Retrato evocativo de um percurso feminino típico, anos 1970–80
As remessas e a economia local
As remessas, o dinheiro enviado pelos emigrantes para as famílias em Portugal, foram uma das maiores fontes de divisas do país durante os anos 1960–80. Para as aldeias transmontanas, foram literalmente o que as manteve vivas: pagaram a escola dos filhos, construíram as casas, financiaram pequenos negócios e ajudaram na modernização agrícola (tractores, redes de rega).
A balança era paradoxal: a aldeia perdia pessoas mas ganhava dinheiro; perdia juventude mas ganhava alguma prosperidade material. Os que ficaram viram as condições de vida melhorar, mas a custo do esvaziamento humano que tornaria a prosperidade vazia de significado.
A segunda geração: os filhos da emigração
Os filhos nascidos em França ou na Alemanha cresceram entre dois mundos. Falavam português em casa, francês na escola e no trabalho. Nos Verões, vinham a Portugal, a aldeia dos pais era ao mesmo tempo familiar e estranha. A saudade que os pais sentiam era uma saudade de um lugar real; a dos filhos era a saudade de um lugar imaginado, construído a partir das histórias contadas à mesa de jantar.
Para muitos, a identidade transmontana tornou-se uma herança emocional e cultural, não um lugar de vida. Identificam-se como portugueses em França, ou como "filhos de emigrantes", uma categoria própria, sem equivalente exacto nos países de acolhimento nem em Portugal. A língua portuguesa que falam tem marcas do tempo e da distância: palavras arcaicas preservadas pela imigração, expressões dialectais transmontanas que já não se ouvem na aldeia.
O regresso que não foi
A maioria dos emigrantes partiu com a intenção de regressar. "Vou uns anos, junto dinheiro, volto." Esse era o plano. Para muitos, o regresso aconteceu, mas não da forma imaginada. Vieram em reforma, já velhos, para casas que tinham construído mas em que nunca tinham vivido. Os filhos ficaram em França. Os netos mal falavam português. A aldeia que encontraram já não era a que tinham deixado.
Outros nunca voltaram. Morreram em Lyon, em Paris, em Dortmund, em Luxemburgo. Às vezes são enterrados lá; às vezes as famílias pedem para que os tragam para a terra onde nasceram. O cemitério de Parada de Monteiros guarda os que regressaram, e a memória dos que ficaram do outro lado.
A Casa do Surjão na diáspora
A história da Casa do Surjão em Parada de Monteiros é, também, uma história de emigração. Vários membros da família partiram nas décadas de 1960 e 1970 para França e para o Luxemburgo, integrados na grande vaga transmontana. Alguns regressaram; outros ficaram e criaram as suas vidas no estrangeiro. Os laços com a aldeia mantêm-se, nas visitas de Verão, nas chamadas telefónicas, nos documentos que chegam pelo correio, nas histórias que se contam às gerações seguintes.
Este site é, em parte, uma tentativa de preservar essa ligação, de dar às gerações nascidas fora de Portugal uma forma de conhecerem a terra dos seus antepassados, a casa onde cresceram os seus pais e avós, e a história de uma aldeia que os formou mesmo à distância.
Cronologia da emigração
1880s–1920s
Primeira vaga, BrasilEmigração para o Brasil, principalmente para São Paulo e Rio de Janeiro. Comércio, serviços e agricultura. Esta vaga afectou mais o litoral norte, mas tocou também o interior transmontano.
1950
Pico populacionalParada de Monteiros atinge o máximo de habitantes. As condições de vida são difíceis; a terra já não chega para todos.
1957
Tratado de RomaCriação do Mercado Comum Europeu. A economia francesa e alemã acelera. A procura de mão-de-obra estrangeira aumenta.
1960–64
Início da grande vagaA emigração clandestina para França e Espanha acelera drasticamente. Os "passadores" são activos nas serras do norte. Parada de Monteiros começa a perder população jovem.
1964
Acordo bilateral Portugal–AlemanhaFormaliza a emigração para a Alemanha Federal. Contratos de trabalho, condições mínimas, visto de trabalho. Os transmontanos vão para o Ruhr e para as fábricas automóveis.
1965–70
Auge da emigração clandestinaNos anos de maior afluxo, mais de 100 000 portugueses abandonam o país por ano (a grande maioria "a salto"). Os passadores cobram vários milhares de escudos por pessoa, o equivalente a muitos meses de trabalho para um jornaleiro. A PIDE intensifica a vigilância nas fronteiras.
1974
25 de Abril, Revolução dos CravosO fim do regime do Estado Novo abre as fronteiras. A emigração legal torna-se mais fácil, mas a crise do petróleo de 1973–74 começa a fechar as portas dos países de acolhimento.
1975–80
Regresso de alguns, estabilização de outrosCom a revolução e as dificuldades económicas em França e Alemanha, alguns emigrantes regressam. Mas muitos ficam, já criaram raízes, os filhos estão nas escolas francesas ou alemãs.
1986
Portugal entra na CEEA adesão à Comunidade Económica Europeia abre novas oportunidades em Portugal. O fluxo emigratório abranda. Começa a chegar o dinheiro dos fundos estruturais europeus.
2010–2014
Nova vaga, crise financeiraA crise da dívida soberana portuguesa relança a emigração, desta vez de jovens qualificados. Os destinos preferidos são o Reino Unido, a Suíça, a Holanda e novamente a França e a Alemanha. Uma nova geração de transmontanos parte.
Hoje
Diáspora consolidadaEstima-se que vivam cerca de 5 milhões de portugueses e descendentes fora de Portugal. A comunidade transmontana em França conta com centenas de milhar de pessoas, distribuídas por associações, clubes e igrejas que mantêm viva a cultura de origem.
The starting point: a mountain land
Parada de Monteiros sits at around 640 metres above sea level, in a landscape of granite and schist where farming was always hard. The fields — terraced on the hillsides or laid out on the riverside meadows along the Tâmega — produced rye, maize and potatoes: food for survival, not for trade. Life was hard, and options were few.
By the mid-twentieth century the village had reached its demographic peak, with several hundred inhabitants spread across large families — four, five, six children working land that barely stretched to feed them all. When the second half of the century arrived, a combination of structural poverty, a closed political regime and the opportunities opening up abroad made emigration almost inevitable.
«He left at night, with a cardboard suitcase. Inside was a slice of cornbread, a piece of chouriço and a photograph of his wife. He arrived in Paris without speaking a word of French.»
— Evocative portrait of a clandestine departure, 1960s
The great wave: the 1960s and 1970s
Between 1957 and 1974, Portugal witnessed the largest emigration movement in its history. Historians estimate that around 1.5 million Portuguese left the country during this period (historian Victor Pereira), of whom nearly 900,000 headed for France. A very substantial portion — around 550,000 — left clandestinely, guided by "passadores" who knew the mountain paths for crossing the border into Spain without a passport.
Trás-os-Montes was one of the regions most affected. Villages in the interior mountains — Parada de Monteiros, Pensalvos, Cabanes, Seirós and dozens of others — lost a substantial share of their active population within a few years. Those who stayed behind were the elderly and the children; those who left were the youngest and the boldest.
The figures reveal the dramatic acceleration of the phenomenon: legal departures to France rose from 985 in 1955 to 3,593 in 1960 and 32,641 in 1964 — a more than thirty-three-fold increase in under a decade. Between 1962 and 1973, around 1 million Portuguese emigrated to Europe, at an average of 85,515 per year (Observatório da Emigração). These figures exclude clandestine emigration, estimated at more than a third of the total. Trás-os-Montes, given its isolation and structural poverty, consistently ranked among the regions with the highest per-capita outflow. Sources: Observatório da Emigração; Infopédia, Emigração portuguesa.
The road to France
France was the preferred destination for emigrants from Trás-os-Montes. Its relative proximity, the existence of already-established family networks ("who's taking you?" — "I have a cousin in Paris") and strong demand for unskilled labour for post-war reconstruction created a human corridor that lasted for decades.
The Transmontane emigrants worked mainly in three sectors: construction (concrete, roads, tunnelling), the mines (especially in Lorraine, with cities such as Metz, Forbach and Thionville) and the car industry (Renault at Flins and Billancourt, Citroën in Rennes and Paris). Many settled in the Paris region — Seine-Saint-Denis (Aubervilliers, La Courneuve), Val-de-Marne — where compact Portuguese communities still live today.
Integration was slow and hard. Emigrants often lived in shanty towns (bidonvilles) on the outskirts of French cities, in precarious conditions. They sent their savings back to Portugal in envelopes, carried by others returning home. Homesickness was constant, managed with handwritten letters — sometimes to a relative who would read them aloud for those who could not write.
Germany and Luxembourg
Germany attracted emigrants who were younger and willing to learn the language. Bilateral agreements between Portugal and West Germany (1964) formalised a flow that already existed informally. The Transmontane workers went to the Ruhr (Dortmund, Düsseldorf, Cologne) and to the car plants (Volkswagen in Wolfsburg, Mercedes in Stuttgart, BMW in Munich).
Luxembourg, with its steel industry and central geographical position, became the destination of a very cohesive Portuguese community that put down deep roots. The Portuguese today form the largest foreign community in the Grand Duchy, at around 14.5% of the resident population (STATEC, 2023), and many trace their origins to the Transmontane north.
🇫🇷
France
1960 – present
Construction, Lorraine coal mines, car industry. Paris, Seine-Saint-Denis, Île-de-France.
🇩🇪
Germany
1964 – 1980s
Car plants, heavy industry. Ruhr, Wolfsburg, Munich, Stuttgart.
🇱🇺
Luxembourg
1960 – present
Steel, construction, services. Largest foreign community in the Grand Duchy (~14.5% of population).
🇧🇷
Brazil
1880s – 1950s
Earlier wave, before the European migration. Trade and farming. São Paulo, Rio de Janeiro.
Clandestine emigration: the passadores
Until 1974, leaving Portugal required a passport and the regime's authorisation — difficult to obtain, slow and expensive. Those who could not manage it crossed the border on foot, at night, guided by the "passadores": men who knew the mountain paths between the Minho, Trás-os-Montes and Spanish Galicia, and from there to France.
The journey was dangerous. There were cases of people abandoned mid-route, of money stolen, of arrest by the PIDE (political police) or the Guarda Fiscal. But most made it: they crossed Spain by train or truck, and entered France via the Basque border or the Pyrenees. Many did not even know exactly where Paris was.
It is estimated that between 1960 and 1974, around half of Portuguese emigrants left clandestinely. For the villages of Trás-os-Montes, where poverty was deeper and enforcement more difficult, that proportion was probably higher.
The impact on the village
Demographic emptying
The statistics tell the story coldly: in the 2021 Census, the Union of Parishes of Pensalvos and Parada de Monteiros recorded 288 inhabitants in total, of whom only around 40 lived in Parada de Monteiros proper. In the mid-twentieth century the village had several times that population. But the numbers do not capture the silence that remained, the less busy streets, the fields slowly filling with scrub, the houses with their doors closed.
Staying was also a choice — often a forced one. The elderly stayed, lacking the courage or health for the adventure. Women with young children stayed, waiting for the money that would arrive by post. Some stayed because they had enough land to live on, or because they would not abandon their parents. For years, the village became a place of women and the old.
The emigrants' houses
One of the most visible physical marks of Transmontane emigration is the so-called "emigrant houses" — buildings that break with the traditional granite architecture. With money earned in France or Germany, emigrants built new houses on their family plots: larger, with tiled facades, aluminium windows, a garage for the car they would buy on their return. Some blend Portuguese and French references, with wrought-iron balcony railings that recall the villas of the Midi.
These houses were both an investment in the return and a declaration of success — a message to the village that the departure had been worthwhile. Many were built by the emigrant during his summer holiday weeks, with the help of neighbours and family. Some were left unfinished forever.
«He sent money every month. I saved half and managed the children with the other. After ten years there was enough to build the house. He came in August and we built it together.»
— Evocative portrait of a typical female experience, 1970s–80s
Remittances and the local economy
Remittances — money sent by emigrants to their families in Portugal — were one of the country's largest sources of foreign currency during the 1960s–80s. For the Transmontane villages they were literally what kept them alive: they paid for the children's schooling, built the houses, financed small businesses and helped modernise farming (tractors, irrigation networks).
The balance was paradoxical: the village lost people but gained money; it lost youth but gained a degree of material prosperity. Those who stayed saw living conditions improve, but at the cost of a human emptying that would render that prosperity hollow.
The second generation: children of emigration
Children born in France or Germany grew up between two worlds. They spoke Portuguese at home, French or German at school and at work. In summer they came to Portugal; their parents' village felt both familiar and strange. The saudade their parents felt was a longing for a real place; their own was a longing for an imagined place, built from stories told at the dinner table.
For many, a Transmontane identity became an emotional and cultural inheritance, not a place to live. They identify as Portuguese in France, or as "children of emigrants" — a category of their own, without an exact equivalent in the host countries or in Portugal. The Portuguese they speak carries the marks of time and distance: archaic words preserved by emigration, Transmontane dialectal expressions no longer heard in the village.
The return that never was
Most emigrants left intending to return. "I'll go for a few years, save money, come back." That was the plan. For many, the return happened — but not as imagined. They came back in retirement, already old, to houses they had built but never lived in. Their children had stayed in France. Their grandchildren barely spoke Portuguese. The village they found was not the one they had left.
Others never returned. They died in Lyon, Paris, Dortmund, Luxembourg. Sometimes they are buried there; sometimes families arrange for them to be brought back to the land where they were born. The cemetery of Parada de Monteiros holds those who returned, and the memory of those who stayed on the other side.
Casa do Surjão in the diaspora
The history of Casa do Surjão in Parada de Monteiros is also a history of emigration. Several members of the family left in the 1960s and 1970s for France and Luxembourg, part of the great Transmontane wave. Some returned; others stayed and built their lives abroad. The ties with the village remain — in summer visits, in telephone calls, in documents that arrive by post, in the stories told to the next generations.
This website is, in part, an attempt to preserve that connection — to give the generations born outside Portugal a way of knowing the land of their ancestors, the house where their parents and grandparents grew up, and the history of a village that shaped them even from a distance.
Emigration timeline
1880s–1920s
First wave — Brazil Emigration to Brazil, mainly to São Paulo and Rio de Janeiro. Trade, services and farming. This wave affected the northern coast more, but touched the Transmontane interior too.
1950
Population peak Parada de Monteiros reaches its maximum number of inhabitants. Living conditions are hard; the land no longer stretches for everyone.
1957
Treaty of Rome The European Common Market is created. The French and German economies accelerate. Demand for foreign labour rises.
1960–64
Start of the great wave Clandestine emigration to France and Spain accelerates dramatically. The passadores are active in the northern mountains. Parada de Monteiros begins losing its young population.
1964
Portugal–West Germany bilateral agreement Formalises emigration to West Germany. Work contracts, minimum conditions, work visas. Transmontane workers head for the Ruhr and the car factories.
1965–70
Peak of clandestine emigration In the years of greatest outflow, more than 100,000 Portuguese left the country per year (the vast majority clandestinely). The passadores charged several thousand escudos per person — equivalent to many months' wages for a day labourer. The PIDE intensified border surveillance.
1974
25 April — Carnation Revolution The end of the Estado Novo regime opens the borders. Legal emigration becomes easier, but the 1973–74 oil crisis begins to close the doors of host countries.
1975–80
Some return, others settle With the revolution and economic difficulties in France and Germany, some emigrants return. But many stay — they have put down roots, their children are in French or German schools.
1986
Portugal joins the EEC Membership of the European Economic Community opens new opportunities in Portugal. The emigration flow slows. European structural funds begin to arrive.
2010–2014
New wave — financial crisis The Portuguese sovereign debt crisis relaunches emigration, this time of qualified young people. Preferred destinations are the UK, Switzerland, the Netherlands and again France and Germany. A new generation of Transmontane people departs.
Today
Consolidated diaspora An estimated 5 million Portuguese and their descendants live outside Portugal. The Transmontane community in France numbers hundreds of thousands, spread across associations, clubs and churches that keep the culture of origin alive.
Le point de départ : une terre de montagne
Parada de Monteiros se situe à environ 640 mètres d'altitude, dans un paysage de granit et de schiste où l'agriculture a toujours été difficile. Les terres — en terrasses sur les flancs des collines ou dans les prairies riveraines le long du Tâmega — produisaient du seigle, du maïs et des pommes de terre : de quoi subsister, pas de quoi commercer. La vie était dure et les options rares.
Au milieu du XXe siècle, le village avait atteint son pic démographique, avec plusieurs centaines d'habitants répartis en familles nombreuses — quatre, cinq, six enfants travaillant une terre qui suffisait à peine à les nourrir tous. Quand la seconde moitié du siècle arriva, la combinaison de la pauvreté structurelle, d'un régime politique fermé et des opportunités qui s'ouvraient à l'étranger rendit l'émigration presque inévitable.
«Il est parti de nuit, avec une valise en carton. Dedans, une tranche de pain de maïs, un morceau de chouriço et la photo de sa femme. Il est arrivé à Paris sans parler un mot de français.»
— Portrait évocateur d'un départ clandestin, années 1960
La grande vague : les années 1960 et 1970
Entre 1957 et 1974, le Portugal a connu le plus grand mouvement d'émigration de son histoire. On estime à environ 1,5 million le nombre de Portugais qui ont quitté le pays pendant cette période (l'historien Victor Pereira), dont près de 900 000 se sont dirigés vers la France. Une part très substantielle — environ 550 000 — est partie clandestinement, guidée par des "passadores" qui connaissaient les chemins de montagne pour traverser la frontière espagnole sans passeport.
Le Trás-os-Montes fut l'une des régions les plus touchées. Les villages de l'intérieur montagneux — Parada de Monteiros, Pensalvos, Cabanes, Seirós et des dizaines d'autres — ont perdu en quelques années une part substantielle de leur population active. Ceux qui restaient étaient les plus âgés et les enfants ; ceux qui partaient étaient les plus jeunes et les plus audacieux.
Les chiffres révèlent l'accélération dramatique du phénomène : les départs légaux vers la France sont passés de 985 en 1955 à 3 593 en 1960 et 32 641 en 1964 — une multiplication par plus de trente-trois en moins de dix ans. Entre 1962 et 1973, environ 1 million de Portugais ont émigré en Europe, à raison de 85 515 par an en moyenne (Observatório da Emigração). Sources : Observatório da Emigração ; Infopédia, Emigração portuguesa.
Le chemin vers la France
La France était la destination de prédilection des émigrés du Trás-os-Montes. La proximité géographique relative, l'existence de réseaux familiaux déjà établis et la forte demande de main-d'œuvre non qualifiée pour la reconstruction française d'après-guerre ont créé un couloir humain qui a duré des décennies.
Les Transmontans ont travaillé principalement dans trois secteurs : la construction (béton, routes, tunnels), les mines (surtout en Lorraine, avec des villes comme Metz, Forbach et Thionville) et l'industrie automobile (Renault à Flins et Billancourt, Citroën à Rennes et Paris). Beaucoup se sont installés en région parisienne — Seine-Saint-Denis (Aubervilliers, La Courneuve), Val-de-Marne — où vivent encore aujourd'hui des communautés portugaises compactes.
L'intégration fut lente et difficile. Les émigrés vivaient souvent dans des bidonvilles en périphérie des grandes villes françaises. Ils envoyaient leurs économies au Portugal dans des enveloppes, portées par d'autres qui rentraient au pays. La nostalgie était constante, gérée avec des lettres manuscrites — parfois adressées à un parent qui les lisait à voix haute pour ceux qui ne savaient pas écrire.
L'Allemagne et le Luxembourg
L'Allemagne a attiré surtout des émigrés plus jeunes et disposés à apprendre la langue. Les accords bilatéraux entre le Portugal et l'Allemagne fédérale (1964) ont formalisé un flux qui existait déjà de manière irrégulière. Les Transmontans sont allés dans la Ruhr et dans les usines automobiles (Volkswagen à Wolfsburg, Mercedes à Stuttgart, BMW à Munich).
Le Luxembourg, avec son industrie sidérurgique et sa position géographique centrale, est devenu la destination d'une communauté portugaise très soudée qui y a pris de profondes racines. Les Portugais forment aujourd'hui la plus grande communauté étrangère du Grand-Duché, environ 14,5 % de la population résidente (STATEC, 2023), et beaucoup ont des origines dans le nord transmontain.
🇫🇷
France
1960 – aujourd'hui
Construction, mines de Lorraine, industrie automobile. Paris, Seine-Saint-Denis, Île-de-France.
Sidérurgie, construction, services. Plus grande communauté étrangère du Grand-Duché (~14,5 % de la pop.).
🇧🇷
Brésil
1880s – 1950s
Vague antérieure à la migration européenne. Commerce et agriculture. São Paulo, Rio de Janeiro.
L'émigration clandestine : les passadores
Jusqu'en 1974, quitter le Portugal nécessitait un passeport et une autorisation du régime — difficiles à obtenir, longs et coûteux. Ceux qui n'y parvenaient pas traversaient la frontière à pied, la nuit, guidés par les "passadores" : des hommes qui connaissaient les chemins de montagne entre le Minho, le Trás-os-Montes et la Galice espagnole, et de là vers la France.
Le parcours était dangereux. Il y avait des cas de personnes abandonnées en chemin, d'argent volé, d'arrestation par la PIDE ou la Guarda Fiscal. Mais la plupart y arrivaient : ils traversaient l'Espagne en train ou en camion, et entraient en France par la frontière basque ou les Pyrénées.
On estime qu'entre 1960 et 1974, environ la moitié des émigrés portugais sont partis clandestinement. Pour les villages du Trás-os-Montes, où la pauvreté était plus profonde et le contrôle plus difficile à exercer, cette proportion était probablement plus élevée.
L'impact sur le village
Le dépeuplement démographique
Les statistiques racontent l'histoire froidement : lors du recensement de 2021, l'Union de Paroisses de Pensalvos et Parada de Monteiros enregistrait 288 habitants au total, dont seulement une quarantaine vivaient à Parada de Monteiros proprement dit. Au milieu du XXe siècle, le village comptait plusieurs fois cette population. Mais les chiffres ne rendent pas compte du silence qui s'est installé, des rues moins animées, des champs qui ont commencé à se remplir de broussailles, des maisons aux portes closes.
Rester était aussi un choix — souvent forcé. Les plus âgés restaient, n'ayant pas le courage ou la santé pour l'aventure. Les femmes avec de jeunes enfants restaient, attendant l'argent qui arriverait par la poste. Certains restaient parce qu'ils avaient assez de terre pour vivre. Le village est devenu, pendant des années, un lieu de femmes et de vieux.
Les maisons des émigrés
L'une des marques physiques les plus visibles de l'émigration transmontaine est ce qu'on appelle les "maisons des émigrés" — des constructions qui rompent avec l'architecture traditionnelle en granit. Avec l'argent gagné en France ou en Allemagne, les émigrés ont construit de nouvelles maisons sur les terrains familiaux : plus grandes, avec du carrelage en façade, des fenêtres en aluminium, un garage pour la voiture qu'ils achèteraient à leur retour.
Ces maisons étaient à la fois un investissement dans le retour et une déclaration de succès — un message au village que le départ en avait valu la peine. Beaucoup ont été construites par l'émigré pendant ses semaines de vacances d'été, avec l'aide des voisins et de la famille. Certaines sont restées inachevées pour toujours.
«Il envoyait de l'argent tous les mois. J'en mettais la moitié de côté et gérais les enfants avec l'autre. Au bout de dix ans, il y en avait assez pour construire la maison. Il est venu en août et nous l'avons construite ensemble.»
— Portrait évocateur d'un parcours féminin typique, années 1970–80
Les remises et l'économie locale
Les remises — l'argent envoyé par les émigrés à leurs familles au Portugal — ont été l'une des plus grandes sources de devises du pays pendant les années 1960–80. Pour les villages transmontains, elles ont littéralement été ce qui les a maintenus en vie : elles ont payé la scolarité des enfants, construit les maisons, financé de petites entreprises et aidé à moderniser l'agriculture.
Le bilan était paradoxal : le village perdait des habitants mais gagnait de l'argent ; il perdait sa jeunesse mais gagnait une certaine prospérité matérielle. Ceux qui restaient voyaient leurs conditions de vie s'améliorer, mais au prix d'un vide humain qui rendrait cette prospérité creuse.
La deuxième génération : les enfants de l'émigration
Les enfants nés en France ou en Allemagne ont grandi entre deux mondes. Ils parlaient portugais à la maison, français ou allemand à l'école et au travail. L'été, ils venaient au Portugal ; le village de leurs parents leur était à la fois familier et étranger. La saudade que ressentaient leurs parents était une nostalgie d'un lieu réel ; la leur était la nostalgie d'un lieu imaginé, construit à partir des histoires racontées à table.
Pour beaucoup, l'identité transmontaine est devenue un héritage émotionnel et culturel, non un lieu de vie. Ils s'identifient comme Portugais en France, ou comme "enfants d'émigrés" — une catégorie propre, sans équivalent exact dans les pays d'accueil ni au Portugal.
Le retour qui n'a pas eu lieu
La plupart des émigrés sont partis avec l'intention de revenir. "J'y vais quelques années, j'économise, je reviens." C'était le plan. Pour beaucoup, le retour a eu lieu — mais pas comme imaginé. Ils sont revenus à la retraite, déjà vieux, dans des maisons qu'ils avaient construites mais dans lesquelles ils n'avaient jamais vécu. Leurs enfants étaient restés en France. Leurs petits-enfants parlaient à peine portugais.
D'autres ne sont jamais revenus. Ils sont morts à Lyon, à Paris, à Dortmund, au Luxembourg. Parfois ils y sont enterrés ; parfois les familles demandent à ce qu'on les ramène dans la terre où ils sont nés. Le cimetière de Parada de Monteiros garde ceux qui sont revenus, et la mémoire de ceux qui sont restés de l'autre côté.
La Casa do Surjão dans la diaspora
L'histoire de la Casa do Surjão à Parada de Monteiros est aussi une histoire d'émigration. Plusieurs membres de la famille sont partis dans les années 1960 et 1970 pour la France et le Luxembourg, intégrés dans la grande vague transmontaine. Certains sont revenus ; d'autres sont restés et ont construit leur vie à l'étranger. Les liens avec le village se maintiennent — dans les visites estivales, les coups de téléphone, les documents qui arrivent par courrier, les histoires racontées aux générations suivantes.
Ce site est, en partie, une tentative de préserver ce lien — de donner aux générations nées hors du Portugal un moyen de connaître la terre de leurs ancêtres, la maison où ont grandi leurs parents et grands-parents, et l'histoire d'un village qui les a façonnés même à distance.
Chronologie de l'émigration
1880s–1920s
Première vague — Brésil Émigration vers le Brésil, principalement à São Paulo et Rio de Janeiro. Commerce, services et agriculture.
1950
Pic démographique Parada de Monteiros atteint son nombre maximum d'habitants. Les conditions de vie sont difficiles ; la terre ne suffit plus pour tous.
1957
Traité de Rome Création du Marché commun européen. Les économies française et allemande s'accélèrent. La demande de main-d'œuvre étrangère augmente.
1960–64
Début de la grande vague L'émigration clandestine vers la France et l'Espagne s'accélère. Les passadores sont actifs dans les montagnes du nord. Parada de Monteiros commence à perdre sa population jeune.
1964
Accord bilatéral Portugal–Allemagne Formalise l'émigration vers l'Allemagne fédérale. Contrats de travail, conditions minimales, visa de travail.
1965–70
Apogée de l'émigration clandestine Dans les années de plus grand afflux, plus de 100 000 Portugais quittent le pays par an. Les passadores facturent plusieurs milliers d'escudos par personne.
1974
25 avril — Révolution des Œillets La fin du régime de l'Estado Novo ouvre les frontières. L'émigration légale devient plus facile, mais la crise pétrolière de 1973–74 commence à fermer les portes des pays d'accueil.
1975–80
Retour de certains, stabilisation d'autres Avec la révolution et les difficultés économiques en France et en Allemagne, certains émigrés rentrent. Mais beaucoup restent — ils ont pris racine, leurs enfants sont dans les écoles françaises ou allemandes.
1986
Le Portugal rejoint la CEE L'adhésion à la Communauté économique européenne ouvre de nouvelles opportunités au Portugal. Le flux d'émigration ralentit.
2010–2014
Nouvelle vague — crise financière La crise de la dette souveraine portugaise relance l'émigration, cette fois de jeunes qualifiés. Les destinations préférées sont le Royaume-Uni, la Suisse, les Pays-Bas et à nouveau la France et l'Allemagne.
Aujourd'hui
Diaspora consolidée On estime à environ 5 millions le nombre de Portugais et leurs descendants vivant hors du Portugal. La communauté transmontaine en France compte des centaines de milliers de personnes.
El punto de partida: una tierra de montaña
Parada de Monteiros se sitúa a unos 640 metros de altitud, en un paisaje de granito y pizarra donde la agricultura siempre fue difícil. Los campos —en terrazas en las laderas o en los prados ribereños junto al Tâmega— producían centeno, maíz y patatas: alimento para subsistir, no para comerciar. La vida era dura y las opciones escasas.
A mediados del siglo XX, el pueblo había alcanzado su pico demográfico, con varios cientos de habitantes repartidos en familias numerosas —cuatro, cinco, seis hijos trabajando una tierra que apenas alcanzaba para todos. Cuando llegó la segunda mitad del siglo, la combinación de pobreza estructural, un régimen político cerrado y las oportunidades que se abrían en el extranjero hizo la emigración casi inevitable.
«Se fue de noche, con una maleta de cartón. Dentro había una rebanada de pan de maíz, un trozo de chouriço y la fotografía de su mujer. Llegó a París sin hablar una palabra de francés.»
— Retrato evocador de una partida clandestina, años 1960
La gran oleada: los años 1960 y 1970
Entre 1957 y 1974, Portugal vivió el mayor movimiento emigratorio de su historia. Se estima en unos 1,5 millones el número de portugueses que abandonaron el país en este período, de los cuales cerca de 900.000 se dirigieron a Francia. Una parte muy sustancial —unos 550.000— salió clandestinamente, guiada por los "passadores" que conocían los caminos de montaña para cruzar la frontera sin pasaporte.
Trás-os-Montes fue una de las regiones más afectadas. Los pueblos del interior serrano —Parada de Monteiros, Pensalvos, Cabanes, Seirós y decenas de otros— perdieron en pocos años una parte sustancial de su población activa. Los que se quedaban eran los más mayores y los niños; los que partían eran los más jóvenes y los más audaces.
Las salidas legales a Francia pasaron de 985 en 1955 a 3.593 en 1960 y 32.641 en 1964 —un crecimiento de más de 33 veces en menos de diez años. Fuentes: Observatório da Emigração.
El camino hacia Francia
Francia fue el destino preferido de los emigrantes transmontanos. La proximidad geográfica relativa, la existencia de redes familiares ya establecidas y la fuerte demanda de mano de obra no cualificada para la reconstrucción francesa de posguerra crearon un corredor humano que duró décadas.
Los transmontanos trabajaron principalmente en tres sectores: la construcción, las minas (especialmente en Lorena) y la industria del automóvil (Renault, Citroën). Muchos se instalaron en la región parisina —Seine-Saint-Denis, Val-de-Marne— donde hoy siguen viviendo comunidades portuguesas compactas.
Alemania y Luxemburgo
Alemania atrajo sobre todo a emigrantes más jóvenes dispuestos a aprender el idioma. Los acuerdos bilaterales entre Portugal y la Alemania Federal (1964) formalizaron un flujo que ya existía de forma irregular. Los transmontanos fueron al Ruhr y a las fábricas de automóviles (Volkswagen, Mercedes, BMW).
Luxemburgo se convirtió en el destino de una comunidad portuguesa muy cohesionada que echó raíces profundas. Los portugueses forman hoy la mayor comunidad extranjera del Gran Ducado, alrededor del 14,5% de la población residente (STATEC, 2023).
🇫🇷
Francia
1960 – presente
Construcción, minas de Lorena, industria del automóvil. París, Seine-Saint-Denis, Île-de-France.
🇩🇪
Alemania
1964 – años 1980
Fábricas de automóviles, industria pesada. Ruhr, Wolfsburg, Múnich, Stuttgart.
🇱🇺
Luxemburgo
1960 – presente
Siderurgia, construcción, servicios. Mayor comunidad extranjera del Gran Ducado (~14,5% de la pop.).
🇧🇷
Brasil
1880s – 1950s
Oleada anterior a la europea. Comercio y agricultura. São Paulo, Río de Janeiro.
La emigración clandestina: los passadores
Hasta 1974, salir de Portugal requería pasaporte y autorización del régimen, difíciles de obtener. Quien no los conseguía cruzaba la frontera a pie, de noche, guiado por los "passadores": hombres que conocían los caminos de montaña hacia España y de allí a Francia.
Se estima que entre 1960 y 1974, alrededor de la mitad de los emigrantes portugueses salieron clandestinamente. Para los pueblos de Trás-os-Montes, esa proporción era probablemente más alta.
El impacto en el pueblo
El vaciamiento demográfico
En el censo de 2021, la Unión de Parroquias de Pensalvos y Parada de Monteiros registraba 288 habitantes en total, de los cuales solo unos 40 vivían en Parada de Monteiros propiamente dicho. A mediados del siglo XX el pueblo tenía varias veces esa población. Quedarse también era una elección, muchas veces forzada: los mayores, las mujeres con hijos pequeños, los que tenían tierra suficiente para vivir.
Las casas de los emigrantes
Una de las marcas físicas más visibles de la emigración transmontana son las llamadas "casas de los emigrantes", construcciones que rompen con la arquitectura tradicional de granito. Con el dinero ganado en Francia o Alemania, los emigrantes construyeron casas nuevas: más grandes, con azulejo en la fachada, ventanas de aluminio, garaje para el coche que comprarían a su regreso.
«Mandaba dinero todos los meses. Yo guardaba la mitad y atendía a los hijos con la otra. Al cabo de diez años había llegado para construir la casa. Él vino en agosto y la construimos juntos.»
— Retrato evocador de un recorrido femenino típico, años 1970–80
Las remesas y la economía local
Las remesas fueron una de las mayores fuentes de divisas del país durante los años 1960–80. Para los pueblos transmontanos, fueron literalmente lo que los mantuvo vivos: pagaron la escuela de los hijos, construyeron las casas, financiaron pequeños negocios.
La segunda generación: los hijos de la emigración
Los hijos nacidos en Francia o Alemania crecieron entre dos mundos. Hablaban portugués en casa, francés o alemán en la escuela. En verano venían a Portugal; el pueblo de sus padres les resultaba a la vez familiar y extraño.
El regreso que no fue
La mayoría de los emigrantes partió con la intención de volver. Para muchos el regreso ocurrió, pero no como habían imaginado: volvieron jubilados, ya mayores, a casas que habían construido pero en las que nunca habían vivido. Sus hijos se quedaron en Francia. Sus nietos apenas hablaban portugués.
La Casa do Surjão en la diáspora
La historia de la Casa do Surjão en Parada de Monteiros es también una historia de emigración. Varios miembros de la familia partieron en los años 1960 y 1970 hacia Francia y Luxemburgo. Este sitio web es, en parte, un intento de preservar esa conexión.
Cronología de la emigración
1880s–1920s
Primera oleada — Brasil Emigración a Brasil, principalmente São Paulo y Río de Janeiro.
1950
Pico poblacional Parada de Monteiros alcanza su máximo de habitantes.
1957
Tratado de Roma Creación del Mercado Común Europeo. Aumenta la demanda de mano de obra extranjera.
1960–64
Inicio de la gran oleada La emigración clandestina se acelera. Parada de Monteiros empieza a perder población joven.
1964
Acuerdo bilateral Portugal–Alemania Formaliza la emigración a la Alemania Federal.
1965–70
Apogeo de la emigración clandestina Más de 100.000 portugueses abandonan el país por año.
1974
25 de Abril — Revolución de los Claveles El fin del Estado Novo abre las fronteras.
1975–80
Retorno de algunos, estabilización de otros Algunos emigrantes regresan; muchos se quedan.
1986
Portugal entra en la CEE Nuevas oportunidades en Portugal. El flujo emigratorio se frena.
2010–2014
Nueva oleada — crisis financiera Jóvenes cualificados emigran al Reino Unido, Suiza, Países Bajos, Francia y Alemania.
Hoy
Diáspora consolidada Unos 5 millones de portugueses y descendientes viven fuera de Portugal.
Der Ausgangspunkt: ein Gebirgsland
Parada de Monteiros liegt auf etwa 640 Metern Höhe, in einer Landschaft aus Granit und Schiefer, wo die Landwirtschaft stets schwierig war. Die Felder — auf Terrassen an den Hängen oder auf den Flusswiesen am Tâmega — produzierten Roggen, Mais und Kartoffeln: Lebensmittel zum Überleben, nicht zum Handeln. Das Leben war hart, die Möglichkeiten knapp.
Mitte des 20. Jahrhunderts hatte das Dorf seinen demographischen Höhepunkt erreicht, mit mehreren hundert Einwohnern in großen Familien — vier, fünf, sechs Kinder, die ein Land bearbeiteten, das kaum für alle reichte. Die Kombination aus struktureller Armut, einem geschlossenen politischen Regime und den sich im Ausland öffnenden Möglichkeiten machte die Auswanderung fast unvermeidlich.
«Er ging nachts, mit einem Pappkoffer. Darin eine Scheibe Maisbrot, ein Stück Chouriço und das Foto seiner Frau. Er kam in Paris an, ohne ein Wort Französisch zu sprechen.»
— Evokatives Porträt einer heimlichen Abreise, 1960er Jahre
Die große Welle: die 1960er und 1970er Jahre
Zwischen 1957 und 1974 erlebte Portugal die größte Auswanderungsbewegung seiner Geschichte. Schätzungsweise rund 1,5 Millionen Portugiesen verließen das Land in diesem Zeitraum, davon knapp 900.000 nach Frankreich. Ein sehr erheblicher Teil — rund 550.000 — verließ das Land illegal, geführt von „Passadores", die die Bergpfade für die Grenzüberquerung ohne Pass kannten.
Trás-os-Montes war eine der am stärksten betroffenen Regionen. Die Dörfer im Gebirgsinneren verloren in wenigen Jahren einen erheblichen Teil ihrer arbeitsfähigen Bevölkerung. Quellen: Observatório da Emigração.
Der Weg nach Frankreich
Frankreich war das bevorzugte Ziel der Auswanderer aus Trás-os-Montes. Die relative geographische Nähe, bestehende Familiennetzwerke und die starke Nachfrage nach ungelernten Arbeitskräften für den französischen Wiederaufbau schufen einen menschlichen Korridor, der Jahrzehnte andauerte. Die Transmontaner arbeiteten hauptsächlich im Baugewerbe, im Bergbau (besonders in Lothringen) und in der Automobilindustrie (Renault, Citroën).
Deutschland und Luxemburg
Deutschland zog vor allem jüngere Auswanderer an, die bereit waren, die Sprache zu lernen. Die bilateralen Abkommen zwischen Portugal und der Bundesrepublik Deutschland (1964) formalisierten einen bereits bestehenden Fluss. Die Transmontaner gingen ins Ruhrgebiet und zu den Automobilfabriken (Volkswagen, Mercedes, BMW).
Luxemburg wurde das Ziel einer sehr kohäsiven portugiesischen Gemeinschaft, die tiefe Wurzeln schlug. Die Portugiesen bilden heute die größte ausländische Gemeinschaft des Großherzogtums, rund 14,5 % der ansässigen Bevölkerung (STATEC, 2023).
Stahl, Bau, Dienstleistungen. Größte ausländische Gemeinschaft des Großherzogtums (~14,5 % der Bev.).
🇧🇷
Brasilien
1880er – 1950er
Frühere Welle vor der europäischen Migration. Handel und Landwirtschaft. São Paulo, Rio de Janeiro.
Illegale Auswanderung: die Passadores
Bis 1974 war zum Verlassen Portugals ein Pass und die Genehmigung des Regimes erforderlich. Wer diese nicht erhielt, überquerte die Grenze zu Fuß, nachts, geführt von den Passadores. Es wird geschätzt, dass zwischen 1960 und 1974 rund die Hälfte der portugiesischen Auswanderer das Land illegal verließ.
Die Auswirkungen auf das Dorf
Demografische Entleerung
Bei der Volkszählung 2021 verzeichnete die Gemeinde Pensalvos und Parada de Monteiros insgesamt 288 Einwohner, davon nur rund 40 in Parada de Monteiros selbst. Mitte des 20. Jahrhunderts hatte das Dorf ein Vielfaches davon. Zurück blieben die Älteren und Frauen mit kleinen Kindern.
Die Häuser der Auswanderer
Eines der sichtbarsten physischen Merkmale der Transmontaner Auswanderung sind die sogenannten „Auswandererhäuser" — Bauten, die mit der traditionellen Granitarchitektur brechen. Mit dem in Frankreich oder Deutschland verdienten Geld bauten die Auswanderer neue, größere Häuser mit gekachelten Fassaden, Aluminiumfenstern und einer Garage.
«Er schickte jeden Monat Geld. Ich sparte die Hälfte und versorgte die Kinder mit dem Rest. Nach zehn Jahren reichte es für den Hausbau. Er kam im August und wir bauten zusammen.»
— Evokatives Porträt eines typischen weiblichen Werdegangs, 1970er–80er
Überweisungen und lokale Wirtschaft
Die Überweisungen waren für die Transmontaner Dörfer buchstäblich das, was sie am Leben hielt: Sie finanzierten die Schulbildung der Kinder, den Hausbau und die Modernisierung der Landwirtschaft.
Die zweite Generation: Kinder der Auswanderung
Die in Frankreich oder Deutschland geborenen Kinder wuchsen zwischen zwei Welten auf. Sie sprachen Portugiesisch zu Hause, Französisch oder Deutsch in der Schule. Im Sommer kamen sie nach Portugal; das Dorf ihrer Eltern war ihnen zugleich vertraut und fremd.
Die Rückkehr, die nicht stattfand
Die meisten Auswanderer gingen mit der Absicht zurückzukehren. Für viele geschah die Rückkehr, aber anders als erwartet: Sie kamen im Ruhestand zurück, schon alt, in Häuser, die sie gebaut, aber nie bewohnt hatten. Ihre Kinder blieben in Frankreich.
Casa do Surjão in der Diaspora
Die Geschichte der Casa do Surjão ist auch eine Geschichte der Auswanderung. Mehrere Familienmitglieder gingen in den 1960er und 1970er Jahren nach Frankreich und Luxemburg. Diese Website ist der Versuch, diese Verbindung zu bewahren.
Chronologie der Auswanderung
1880er–1920er
Erste Welle — Brasilien Auswanderung nach Brasilien, hauptsächlich São Paulo und Rio de Janeiro.
1950
Bevölkerungshöhepunkt Parada de Monteiros erreicht die maximale Einwohnerzahl.
1957
Römer Vertrag Gründung des Europäischen Gemeinsamen Marktes.
1960–64
Beginn der großen Welle Illegale Auswanderung beschleunigt sich drastisch.
1964
Bilaterales Abkommen Portugal–Deutschland Formalisiert die Arbeitsmigration nach Westdeutschland.
1965–70
Höhepunkt der illegalen Auswanderung Mehr als 100.000 Portugiesen verlassen das Land pro Jahr.
1974
25. April — Nelkenrevolution Das Ende des Estado Novo öffnet die Grenzen.
1975–80
Rückkehr einiger, Stabilisierung anderer Manche kehren zurück; viele bleiben.
1986
Portugal tritt der EWG bei Neue Möglichkeiten in Portugal; der Auswanderungsstrom verlangsamt sich.
2010–2014
Neue Welle — Finanzkrise Qualifizierte Jugendliche wandern nach UK, Schweiz, Niederlande aus.
Heute
Konsolidierte Diaspora Schätzungsweise 5 Millionen Portugiesen und Nachkommen leben außerhalb Portugals.
Polazna točka: planinska zemlja
Parada de Monteiros smještena je na oko 640 metara nadmorske visine, u krajoliku granita i škriljevca gdje je poljoprivreda oduvijek bila teška. Polja — u terasama na padinama ili na livadama uz Tâmegu — davala su raž, kukuruz i krumpir: hrana za preživljavanje, ne za trgovinu. Život je bio težak, a mogućnosti oskudne.
Sredinom 20. stoljeća selo je dostiglo demografski vrh s nekoliko stotina stanovnika raspoređenih u velike obitelji — četvero, petero, šestero djece koja obrađuju zemlju koja jedva prehranjuje sve. Kombinacija strukturnog siromaštva, zatvorenog političkog režima i mogućnosti koje su se otvarale u inozemstvu učinila je iseljavanje gotovo neizbježnim.
«Otišao je noću, s kartonskim koferom. Unutra je bila kriška kukuruznog kruha, komad čoriza i fotografija supruge. Stigao je u Pariz bez da zna ni jednu riječ francuskog.»
— Evokativni portret tajnog odlaska, 1960-ih
Veliki val: 1960-e i 1970-e
Između 1957. i 1974. Portugal je doživio najveći iseljeniči pokret u svojoj povijesti. Procjenjuje se da je oko 1,5 milijuna Portugalaca napustilo zemlju u tom razdoblju, od kojih je gotovo 900.000 otišlo u Francusku. Znatan dio — oko 550.000 — otišao je ilegalno, vođen "passadorima" koji su poznavali planinske staze za prelazak granice bez putovnice.
Trás-os-Montes bila je jedna od najteže pogođenih regija. Planinska sela — Parada de Monteiros, Pensalvos, Cabanes, Seirós i desetine drugih — izgubila su za nekoliko godina znatan dio aktivnog stanovništva. Oni koji su ostajali bili su stariji i djeca; oni koji su odlazili bili su najmlađi i najsmjeliji.
Legalni odlasci u Francusku porasli su s 985 u 1955. na 3.593 u 1960. i 32.641 u 1964. — više nego tridesettroistruko povećanje za manje od deset godina. Između 1962. i 1973., oko 1 milijun Portugalaca emigriralo je u Europu, u prosjeku 85.515 godišnje. Izvor: Observatório da Emigração.
Put prema Francuskoj
Francuska je bila omiljeno odredište iseljenika iz Trás-os-Montesa. Relativna geografska blizina, postojeće obiteljske mreže i snažna potražnja za nekvalificiranom radnom snagom za poslijeratnu obnovu stvorili su ljudski koridor koji je trajao desetljećima.
Transmontanci su radili uglavnom u tri sektora: građevinarstvo (beton, ceste, tuneli), rudnici (posebno u Loreni) i automobilska industrija (Renault, Citroën). Mnogi su se nastanili u pariškoj regiji — Seine-Saint-Denis, Val-de-Marne — gdje i danas žive kompaktne portugalske zajednice.
Integracija je bila spora i teška. Iseljenici su često živjeli u barakama (bidonvilles) na rubovima francuskih gradova. Slali su uštedine u Portugal u omotnicama. Čežnja je bila stalna, ublažavana rukom pisanim pismima.
Njemačka i Luksemburg
Njemačka je privlačila mlađe iseljenike spremne naučiti jezik. Bilateralni sporazumi između Portugala i Zapadne Njemačke (1964.) formalizirali su tok koji je već neformalno postojao. Transmontanci su išli u Ruhr i tvornice automobila (Volkswagen, Mercedes, BMW).
Luksemburg je postao odredište vrlo kohezivne portugalske zajednice koja je pustila duboke korijene. Portugalci danas čine najveću stranu zajednicu Velikog Vojvodstva, oko 14,5% rezidentnog stanovništva (STATEC, 2023.).
🇫🇷
Francuska
1960. – danas
Građevinarstvo, rudnici Lorene, automobilska industrija. Pariz, Seine-Saint-Denis, Île-de-France.
Čelik, građevinarstvo, usluge. Najveća strana zajednica Velikog Vojvodstva (~14,5% stan.).
🇧🇷
Brazil
1880-e – 1950-e
Raniji val prije europske migracije. Trgovina i poljoprivreda. São Paulo, Rio de Janeiro.
Ilegalno iseljavanje: passadori
Do 1974. napuštanje Portugala zahtijevalo je putovnicu i dozvolu režima — teško dobivljive, spore i skupe. Oni koji ih nisu mogli dobiti prelazili su granicu pješice, noću, vođeni "passadorima": muškarcima koji su poznavali planinske staze između Minha, Trás-os-Montesa i španjolske Galicije, i odatle prema Francuskoj.
Procjenjuje se da je između 1960. i 1974. oko polovice portugalskih iseljenika otišlo ilegalno. Za sela Trás-os-Montesa, gdje je siromaštvo bilo dublje, taj udio bio je vjerojatno viši.
Utjecaj na selo
Demografsko pražnjenje
Prema popisu iz 2021., Unija župa Pensalvos i Parada de Monteiros bilježila je ukupno 288 stanovnika, od kojih je samo oko 40 živjelo u samoj Paradi de Monteiros. Sredinom 20. stoljeća selo je imalo višestruko više stanovnika. Ostajali su stariji i žene s malom djecom koje su čekale novac koji bi stizao poštom.
Kuće iseljenika
Jedan od najvidljivijih fizičkih tragova transmontanskog iseljeništva su tzv. "kuće iseljenika" — građevine koje odudaraju od tradicijskog granitnog graditeljstva. Novcem zarađenim u Francuskoj ili Njemačkoj iseljenici su gradili nove, veće kuće s pločičastim pročeljima, aluminijskim prozorima i garažom. Neke su zauvijek ostale nedovršene.
«Slao je novac svakog mjeseca. Ja sam polovicu čuvala, a drugom sam se brinula za djecu. Nakon deset godina bilo je dovoljno za gradnju kuće. Došao je u kolovozu i gradili smo zajedno.»
— Evokativni portret tipičnog ženskog iskustva, 1970-e–80-e
Doznake i lokalno gospodarstvo
Doznake — novac koji su iseljenici slali obiteljima u Portugalu — bile su doslovno ono što je sela držalo živima: plaćale su školovanje djece, gradile kuće, financirale male poslovne pothvate i pomogle modernizaciji poljoprivrede.
Bilanca je bila paradoksalna: selo je gubilo ljude, ali dobivalo novac; gubilo je mladost, ali dobivalo određeno materijalno blagostanje. Oni koji su ostali vidjeli su poboljšanje životnih uvjeta, ali po cijenu ljudskog pražnjenja.
Druga generacija: djeca iseljeništva
Djeca rođena u Francuskoj ili Njemačkoj odrastala su između dva svijeta. Govorila su portugalski kod kuće, francuski ili njemački u školi. Ljeti su dolazila u Portugal; roditeljsko selo im je bilo istovremeno poznato i strano. Transmontanski identitet postao je za mnoge emotivno i kulturno nasljeđe, ne mjesto za život.
Povratak koji se nije dogodio
Većina iseljenika otišla je s namjerom povratka. Za mnoge se povratak dogodio, ali ne kako su zamislili: vratili su se u mirovini, već stari, u kuće koje su sagradili ali u kojima nikad nisu živjeli. Djeca su ostala u Francuskoj. Unuci jedva da su govorili portugalski.
Drugi se nikad nisu vratili. Umrli su u Lyonu, Parizu, Dortmundu, Luksemburgu. Groblje Parada de Monteiros čuva one koji su se vratili i sjećanje na one koji su ostali s druge strane.
Casa do Surjão u dijaspori
Povijest Casa do Surjão u Paradi de Monteiros jest i povijest iseljeništva. Nekoliko članova obitelji otišlo je 1960-ih i 1970-ih u Francusku i Luksemburg, kao dio velikog transmontanskog vala. Neki su se vratili; drugi su ostali i izgradili živote u inozemstvu. Ova web stranica je dijelom pokušaj čuvanja te veze — da generacijama rođenima izvan Portugala da način upoznavanja zemlje predaka.
Kronologija iseljeništva
1880-e–1920-e
Prvi val — Brazil Iseljavanje u Brazil, uglavnom São Paulo i Rio de Janeiro. Trgovina, usluge i poljoprivreda.
1950.
Demografski vrhunac Parada de Monteiros dostiže maksimalan broj stanovnika. Uvjeti su teški; zemlja više ne prehranjuje sve.
1957.
Rimski ugovor Osnivanje Europskog zajedničkog tržišta. Raste potražnja za stranom radnom snagom.
1960.–64.
Početak velikog vala Ilegalno iseljavanje dramatično se ubrzava. Parada de Monteiros počinje gubiti mlado stanovništvo.
1964.
Bilateralni sporazum Portugal–Zapadna Njemačka Formalizira radnu migraciju u Zapadnu Njemačku. Ugovori o radu, minimalni uvjeti, radna viza.
1965.–70.
Vrhunac ilegalnog iseljavanja Više od 100.000 Portugalaca napušta zemlju godišnje, velika većina ilegalno.
1974.
25. travnja — Revolucija karanfila Kraj režima Estado Novo otvara granice. Legalno iseljavanje postaje lakše.
1975.–80.
Povratak nekih, stabilizacija ostalih Neki emigranti se vraćaju; mnogi ostaju jer su pustili korijene, a djeca su u francuskim ili njemačkim školama.
1986.
Portugal ulazi u EEZ Nove mogućnosti u Portugalu. Val iseljavanja se usporava.
2010.–2014.
Novi val — financijska kriza Kvalificirani mladi emigriraju u UK, Švicarsku, Nizozemsku, Francusku i Njemačku.
Danas
Konsolidirana dijaspora Procjenjuje se da oko 5 milijuna Portugalaca i potomaka živi izvan Portugala.
Отправная точка: горный край
Парада-де-Монтейруш расположена примерно на высоте 640 метров над уровнем моря, в краю гранита и сланца, где земледелие всегда было трудным. Поля — террасами на склонах холмов или на заливных лугах вдоль Тамеги — давали рожь, кукурузу и картофель: пропитание, но не товар. Жизнь была тяжёлой, возможности скудными.
К середине XX века деревня достигла демографического пика: несколько сотен жителей в многодетных семьях — четверо, пятеро, шестеро детей, обрабатывающих землю, которой едва хватало на всех. Сочетание структурной бедности, закрытого политического режима и открывавшихся за рубежом возможностей сделало эмиграцию почти неизбежной.
«Он ушёл ночью, с картонным чемоданом. Внутри был ломоть кукурузного хлеба, кусок чорису и фотография жены. Он приехал в Париж, не зная ни слова по-французски.»
— Портрет тайного отъезда, 1960-е годы
Великая волна: 1960-е и 1970-е годы
С 1957 по 1974 год Португалия пережила крупнейшее эмиграционное движение в своей истории. По оценкам, около 1,5 миллиона португальцев покинули страну за этот период, из которых почти 900 000 отправились во Францию. Значительная часть — около 550 000 — уехала нелегально, под руководством «пассадоров», знавших горные тропы для пересечения границы без паспорта.
Трас-уш-Монтеш был одним из наиболее пострадавших регионов. Горные сёла — Парада-де-Монтейруш, Пенсалвуш, Каванеш, Сейруш и десятки других — за несколько лет потеряли значительную часть трудоспособного населения. Оставались пожилые и дети; уезжали самые молодые и самые смелые.
Легальные выезды во Францию выросли с 985 в 1955 году до 3 593 в 1960-м и 32 641 в 1964-м — более чем тридцатитрёхкратный рост менее чем за десятилетие. Между 1962 и 1973 годами около 1 миллиона португальцев эмигрировали в Европу, в среднем 85 515 в год. Источник: Observatório da Emigração.
Путь во Францию
Франция была излюбленным направлением эмигрантов из Трас-уш-Монтеша. Относительная географическая близость, уже сложившиеся семейные связи и высокий спрос на неквалифицированный труд для послевоенного восстановления создали человеческий коридор, просуществовавший десятилетия.
Трансмонтанцы работали главным образом в трёх секторах: строительство (бетон, дороги, тоннели), шахты (особенно в Лотарингии) и автомобильная промышленность (Renault, Citroën). Многие осели в парижском регионе — Сен-Сен-Дени, Валь-де-Марн — где сегодня по-прежнему живут компактные португальские общины.
Интеграция проходила медленно и трудно. Эмигранты нередко жили в лачугах (bidonvilles) на окраинах французских городов. Они отправляли сбережения в Португалию в конвертах, с теми, кто возвращался домой. Тоска была постоянной, облегчаемой рукописными письмами.
Германия и Люксембург
Германия привлекала молодых эмигрантов, готовых учить язык. Двусторонние соглашения между Португалией и ФРГ (1964) формализовали поток, существовавший прежде стихийно. Трансмонтанцы ехали в Рур и на автозаводы (Volkswagen, Mercedes, BMW).
Люксембург стал местом назначения сплочённой португальской общины, пустившей глубокие корни. Сегодня португальцы составляют крупнейшую иностранную общину Великого Герцогства — около 14,5% резидентного населения (STATEC, 2023).
Сталь, строительство, услуги. Крупнейшая иностранная община Великого Герцогства (~14,5%).
🇧🇷
Бразилия
1880-е — 1950-е
Ранняя волна до европейской миграции. Торговля и сельское хозяйство. Сан-Паулу, Рио-де-Жанейро.
Нелегальная эмиграция: пассадоры
До 1974 года для выезда из Португалии требовались паспорт и разрешение режима — труднодоступные, требующие времени и денег. Те, кто их не мог получить, переходили границу пешком, ночью, под руководством «пассадоров»: мужчин, знавших горные тропы между Минью, Трас-уш-Монтешем и испанской Галисией, и оттуда во Францию.
По оценкам, с 1960 по 1974 год около половины португальских эмигрантов уехали нелегально. Для сёл Трас-уш-Монтеша, где бедность была глубже, этот показатель был, вероятно, выше.
Влияние на деревню
Демографическое опустение
По переписи 2021 года, объединение приходов Пенсалвуш и Парада-де-Монтейруш насчитывало в общей сложности 288 жителей, из которых лишь около 40 проживало непосредственно в Параде-де-Монтейруш. В середине XX века деревня была населена во много раз больше. Оставались пожилые и женщины с малыми детьми, ждавшие денег по почте.
Дома эмигрантов
Один из наиболее заметных физических следов трансмонтанской эмиграции — так называемые «дома эмигрантов»: постройки, разительно отличающиеся от традиционной гранитной архитектуры. На деньги, заработанные во Франции или Германии, эмигранты строили новые, бо́льшие дома с кафельными фасадами, алюминиевыми окнами и гаражом. Некоторые так и остались незаконченными навсегда.
«Он присылал деньги каждый месяц. Половину я откладывала, на другую растила детей. Через десять лет накопилось на дом. Он приехал в августе, и мы строили вместе.»
— Портрет типичного женского опыта, 1970–80-е годы
Денежные переводы и местная экономика
Денежные переводы — деньги, отправляемые эмигрантами семьям в Португалии, — были для трансмонтанских сёл буквально тем, что их держало живыми: они оплачивали учёбу детей, строили дома, финансировали мелкий бизнес и помогали модернизировать сельское хозяйство.
Баланс был парадоксальным: деревня теряла людей, но получала деньги; теряла молодёжь, но обретала некоторое материальное благополучие. Те, кто оставался, видели улучшение условий жизни — но ценой человеческого опустения.
Второе поколение: дети эмиграции
Дети, рождённые во Франции или Германии, росли между двумя мирами. Дома говорили по-португальски, в школе — по-французски или по-немецки. Летом приезжали в Португалию; деревня родителей казалась им одновременно родной и чужой. Трансмонтанская идентичность стала для многих эмоциональным и культурным наследием, а не местом жизни.
Возвращение, которого не было
Большинство эмигрантов уезжали с намерением вернуться. Для многих возвращение состоялось, но не так, как представлялось: они вернулись на пенсии, уже старыми, в дома, которые построили, но в которых никогда не жили. Дети остались во Франции. Внуки едва говорили по-португальски.
Другие не вернулись никогда. Они умерли в Лионе, Париже, Дортмунде, Люксембурге. Кладбище Парады-де-Монтейруш хранит тех, кто вернулся, и память о тех, кто остался по ту сторону.
Casa do Surjão в диаспоре
История Casa do Surjão в Параде-де-Монтейруш — это и история эмиграции. Несколько членов семьи уехали в 1960–70-х годах во Францию и Люксембург, влившись в великую трансмонтанскую волну. Некоторые вернулись; другие остались и построили свою жизнь за рубежом. Этот сайт — отчасти попытка сохранить эту связь, дать поколениям, рождённым за пределами Португалии, способ узнать землю своих предков.
Хронология эмиграции
1880-е–1920-е
Первая волна — Бразилия Эмиграция в Бразилию, главным образом в Сан-Паулу и Рио-де-Жанейро. Торговля, услуги, сельское хозяйство.
1950
Демографический пик Парада-де-Монтейруш достигает максимальной численности населения. Условия жизни тяжёлые; земли на всех не хватает.
1957
Римский договор Создание Европейского общего рынка. Растёт спрос на иностранную рабочую силу.
1960–64
Начало великой волны Нелегальная эмиграция резко ускоряется. Парада-де-Монтейруш начинает терять молодёжь.
1964
Двустороннее соглашение Португалия–ФРГ Формализует трудовую миграцию в Западную Германию. Трудовые договоры, минимальные условия, рабочая виза.
1965–70
Пик нелегальной эмиграции Более 100 000 португальцев покидают страну в год, подавляющее большинство — нелегально.
1974
25 апреля — Революция гвоздик Конец режима Estado Novo открывает границы. Легальная эмиграция становится проще.
1975–80
Возвращение одних, оседание других Часть эмигрантов возвращается; многие остаются, пустив корни, их дети учатся во французских или немецких школах.
1986
Вступление Португалии в ЕЭС Новые возможности в Португалии; поток эмиграции замедляется.
2010–2014
Новая волна — финансовый кризис Квалифицированная молодёжь уезжает в Великобританию, Швейцарию, Нидерланды, снова во Францию и Германию.
Сегодня
Консолидированная диаспора По оценкам, около 5 миллионов португальцев и их потомков живут за пределами Португалии.
~5M
portugueses e descendentes na diáspora mundialPortuguese and descendants in the global diasporaPortugais et descendants dans la diaspora mondialeportugueses y descendientes en la diáspora mundialPortugiesen und Nachkommen in der weltweiten DiasporaPortugalaca i potomaka u globalnoj dijasporiпортугальцев и потомков в мировой диаспоре
~1,5M
emigraram de Portugal entre 1957–1974emigrated from Portugal between 1957–1974ont émigré du Portugal entre 1957–1974emigraron de Portugal entre 1957–1974wanderten aus Portugal aus zwischen 1957–1974iselilo se iz Portugala između 1957.–1974.эмигрировали из Португалии в период 1957–1974 гг.
14,5%
da pop. do Luxemburgo é portuguesa (STATEC)of Luxembourg's population is Portuguese (STATEC)de la pop. du Luxembourg est portugaise (STATEC)de la pop. de Luxemburgo es portuguesa (STATEC)der Luxemburger Bevölkerung sind Portugiesen (STATEC)stanovništva Luksemburga su Portugalci (STATEC)населения Люксембурга составляют португальцы (STATEC)
~550k
saíram clandestinamente ("a salto") até 1974left clandestinely ("a salto") before 1974sont partis clandestinement ("a salto") avant 1974salieron clandestinamente ("a salto") antes de 1974verließen das Land illegal ("a salto") bis 1974otišlo ilegalno ("a salto") do 1974.уехали нелегально ("a salto") до 1974 г.